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Devo ser a única libriana no mundo que está sempre vivendo pelos seus sonhos e por seus amores, não por sua beleza exterior.
Sou aquela menina que sempre sonhou com o príncipe encantado... Hoje vivo em função do amor da minha vida! A busca que já me pareceu impossível, teve fim exatamente quando menos esperei, por quem eu menos imaginei. Agora vivo oscilando entre a saudade incontrolável e o amor incondicional; entre a tristeza profunda que a saudade traz e toda aquela felicidade que mal cabe em mim quando tenho o amor da minha vida ao meu lado. Vivo em função do amor e aceitando a saudade como sua pior e mais saudável consequência.
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão
profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
- Clarice Lispector
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My heart is an ocean.
My love is like a star. You can't always see me, but you know that I'm always there!

Capitulo 26.

(Pietro)

Acordei umas nove e meia da manhã, com o meu celular despertando. Levantei, peguei a cueca que tava jogada pelo chão (por causa da noite anterior, enfim), e fui pra cozinha. Fiquei fuçando os armários procurando algo pra comer, achei umas torradas, tinha uns frios na geladeira, fiz uns lanchinhos pra gente. Estava lá, tranquilo e cantando “O vagabundo e a Dama” do Oriente, quando abrem a porta da cozinha.

- Já acor…

- JESUS AMADO! Ô Senhor, que isso moço? - disse a mulher baixinha de cabelos enroladinhos e sotaque caipira, que falou tampando os olhos com a bolsa.

- Puts! Ai… É… Prazer, quer dizer, sou o Pietro, namorado da Duda! Desculpa! Não sabia que vinha ninguém pra cá!

- Ô fio, a menina da Duda não ligo avisano, sô quem cuida da casa… Vai lá se vestir vai… - Ela balançou a cabeça sem tirar a bolsa do rosto. Depois balançou a mão em direção do quarto.

Assim fiz. Morrendo de vergonha. Cheguei no quarto pulando na cama e rindo até perder o ar, não ia sair de lá até que aquela mulher tenha ido embora! Coitada, trombar um maluco de 1,80 que nunca viu na vida só de cueca na cozinha? Foda. Pensei se fosse minha mãe, não gostei de imaginar ela vendo essa cena. Estremeci ao lembrar dela e do seu estado. A Duda acordou.

- Que isso menino? tá louco? 

- MANO, vou te socar Eduarda! Como assim tem gente que cuida da casa e você não me avisa?

- Ai - Meu - Deus ! A Solange! Puts, esqueci de ligar avisando! Liguei falando pra ela abastecer a geladeira e tal, mas, esqueci de falar pra ela não vir no fim de semana.

- Tá, mas ela me viu assim! - Ela me olhou de cima a baixo - Então imagina a minha vergonha agora. 

Ela até engasgou de tanto rir, ela só parou na hora que eu mordi a barriga dela e deixei um roxo. Ai ela parou de rir pra me bater. Depois ela se trocou (ou melhor, se vestiu) e foi falar com a Solange. Ela voltou rindo, e com a bandeja do café da manhã que eu tinha esquecido na cozinha na mão. 

Comemos na cama, sem parar de rir por lembrar do que aconteceu. Arrumei uma mochila com as coisas que íamos precisar durante a tarde, era só o básico, mas minha namorada é louca! Encheu a mochila com cremes pro cabelo, pro corpo, pro rosto. Quanta frescura.

- E a surpresa? Pegou?

- Tá no meu bolso - disse com um risinho - mas só vou te mostrar no meio da tarde. Caso você não goste pelo menos não vai ficar brava.

- Nossa, tô muito curiosa! Como assim eu não vou gostar?

- Digamos que já “conversamos” disso e não foi legal… Na verdade nem conversamos, você só não gostou. E…

- É um baseado? Se for nem leva, dá tempo de inventar outra surpresa! 

- Caralho! Que chata mano! Porque cê é assim? Não, nem responde. Esqueci que você é boyzinha e tem mente fechada. - Falei merda. Ela deitou na cama, cruzou os braços e fez bico. Nem respondeu. Ela tava brava, burro. Deitei do lado dela. - Duda, amor, só observa a brisa, ou experimenta. Você não pode dizer que não gosta de uma fruta se nunca provou, não é?

Ela continuou não respondendo, e eu falando. Ficamos nisso um hora ou mais, até que ela resolveu dar seu veredito.

- Ok. Você tem uma, eu disse UMA, chance de me mostrar se essa coisa é legal ou é mentira sua. Se for, ok… Mas se for mentira você vai fazer o que eu quero o mês inteiro. 

- Demorou, demorou. Suave, se você curtir, você vai ter que fazer meus gostos então, e se você não gostar… Ah, para! duvido você não gostar! 

- Você sabe que eu sou teimosa, posso falar que não gostei só de pirraça!

- Mas na brisa se você começar a rir eu já vou saber que gostou… E riso nessas horas é impossível segurar!

- Você é irritante, maloqueiro.

- E você é loucamente apaixonada pelo maloqueiro gostoso aqui, patricinha.

- Vai se foder. - Ela disse tentando segurar o riso e forçando uma cara de malvada, e lançou até um dedo do meio.

- Tá aprendeeeeeeno! 

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